O último risco
Parte 1: Quando o segredo pesa demais
Os dias seguintes foram um jogo perigoso. Cada mensagem escondida, cada encontro apressado, cada olhar furtivo parecia desafiar o destino. Mas os segredos sempre acabam pesando.
Num domingo à noite, depois de um almoço em família repleto de alusões às Gavirias, recebi a mensagem que mudou tudo:
"Preciso te ver. Hoje. Sozinho."
Meu coração disparou. Eu sabia que dizer "não" era mais seguro, mas meus dedos insistiram em digitar: "Onde?"
Parte 2: A Reunião
O endereço me levou a um antigo armazém, iluminado apenas por algumas lâmpadas amareladas. Lá dentro, cheirava a livros antigos. Miguel estava lá, vestindo uma camisa branca, mangas arregaçadas, e seus olhos estavam cheios de algo que eu não conseguia decifrar.
"Demorou um pouco", ele disse, caminhando em minha direção.
— Quase não vim.
—Mas você veio. —Ele parou a alguns centímetros de distância. —Porque você não pode ficar longe.
Revirei os olhos, nervoso.
— Você é muito arrogante.
—E você, você mente muito mal.
Ele me puxou pela cintura e, antes que eu pudesse reagir, seus lábios estavam nos meus. O beijo era urgente, ardente, como se tivéssemos esperado a vida inteira por aquele momento.
Parte 3: Confissões no Escuro
Quando nos separamos, eu estava sem fôlego. Encostei a testa no peito dele, tentando organizar meus pensamentos.
— Está errado, Miguel. Nossas famílias...
— Chega de falar de famílias. — Ele levantou meu queixo para que eu pudesse encará-lo. — Eu não sou meu pai. Você não é seu avô. Aqui, somos só você e eu.
— Você fala como se fosse fácil.
—Não é. Mas nada que vale a pena ter é fácil.
Meu coração batia tão forte que parecia que ia sair do peito. Ele pegou minhas mãos e as apertou com força.
—Diga que você não sente nada e eu vou embora agora.
— …Eu não consigo fazer isso — admiti, com a voz trêmula.
Seus olhos brilhavam, como se ele tivesse acabado de vencer a maior batalha de sua vida.
Parte 4: Um Beijo Sem Retribuição
Miguel me beijou novamente, desta vez suavemente, saboreando cada segundo. Suas mãos percorreram minhas costas, e meu corpo respondeu sem resistência. Eu sabia que estava cruzando o ponto sem volta, mas não queria parar.
—Você é minha loucura, Isabela—ele murmurou contra meus lábios.
—E você é meu erro favorito—respondi sem pensar.
Rimos, mas meus olhos se encheram de lágrimas. Pois eu sabia que amar Miguel era como brincar com fogo e pólvora.
Parte 5: A Escolha Final
Horas depois, saímos do armazém. A noite estava fria, a rua deserta. Miguel pegou minha mão, entrelaçando seus dedos com os meus, como se jurasse proteção.
"Agora somos nós contra o mundo", disse ele firmemente.
—E se o mundo for grande demais? — perguntei, assustada.
— Então vamos aumentar o fogo até queimar.
O silêncio se instalou. Olhei para ele, tentando capturar aquele momento como se fosse o último. E talvez fosse.
Do outro lado da rua, um carro preto apareceu lentamente. Os faróis cortaram a escuridão, e reconheci o motorista: um dos homens de confiança do meu avô. Meu estômago gelou.
— Miguel… — sussurrei, apertando sua mão.
—Eu sei. — Ele respirou fundo. —Está começando.
Ele me puxou para trás, instintivamente me protegendo. E naquele momento, eu soube: não havia como voltar atrás.
Em seus olhos não havia medo, apenas a certeza de que estava pronto para ir até o fim.
E eu também.
(Fim do Capítulo Final — mas será realmente o fim?)
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